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Ayurveda e a Saúde da Mulher


por Luciana Cerqueira - Repórter do Portal INFORME YOGA

artigo postado no www.informeyoga.com.br


É inegável: a mulher contemporânea, esteja ela com 25 ou 60 anos, deseja se manter saudável em termos de corpo, alma e mente. Afinal, ter uma atitude de bem com a vida deixou de ser uma meta pessoal para se tornar uma tendência de estilo de vida que hoje orienta a conduta de inúmeras mulheres (e homem também, claro). Com significativos investimentos de tempo e dinheiro, cuidam atentamente daquilo que comem, bebem e lêem, como se exercitam, sobre o que meditam, o que consomem, onde passeiam, como constroem e organizam suas casas, e assim por diante. Até ícones femininos “pop star”, a exemplo da cantora Madona e a modelo Gisele Bünchen, se tornaram ainda mais valorizadas ao anunciar em entrevistas e fotos publicitárias que se dedicam a praticar yoga e meditação.


Trata-se de um dado cultural interessante a se observar, pois esta mudança interfere diretamente na relação de prioridades que as pessoas estabelecem para viver, principalmente no que diz respeito ao resgate da espiritualidade feminina e sua reaproximação com a Natureza. Conforme analisa a médica especializada em ayurveda, Brenda Kalil, que integra o corpo docente do Instituto de Cultura Hindu Naradeva Shala e trabalha em alguns dos principais centros médicos da cidade de São Paulo como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Santa Catarina, Hospital e Maternidade São Luís, "as mulheres vivenciaram um afastamento prejudicial dos ritos e seus ciclos naturais por batalharem uma posição ativa no mercado de trabalho. Como ônus, sofrem com disfunções sérias hormonais e problemas no aparelho reprodutor feminino que têm gerado casos freqüentes de menopausa precoce, endometriose e infertilidade".


Ela comenta que em certas regiões da India, as mulheres se reúnem para celebrar a transição de ciclos de passagem como a menarca, o casamento, a gravidez e até a entrada na idade maior. "São experiências muito ricas, pois estes círculos de mulheres possibilitam a troca de experiências entre gerações de mulheres e fortalecem a tradição do poder criador feminino."


Sabrina Alves, terapeuta ayurvédica com especialidade em mulheres e coordenadora do projeto Clã dos Ciclos Sagrados, iniciativa voltada a resgatar a integração da mulher com os mistérios da menstruação e dos ciclos divinos femininos, compartilha desta visão e explica que "a origem de muitas doenças está na desconexão com as energias primais da Shakti, que é o princípio feminino da vida." Ela sugere às mulheres que se reconectem com a sabedoria primal, através de cuidados diários com a respiração, alimentação, higiene corporal e meditação, sempre respeitando os limites e as próprias necessidades.


Na medicina Ayurveda, isto é definido como Dinacharya (estilo de vida do dia) e Ratricharya (estilo de vida noturno) e inclui:


 

- 10 a 15 minutos de meditação diária;


- 10 a 15 minutos de exercícios físicos, como prática de ásanas;


- entre 10h00 e 14 horas almoço com alimentos sáttvicos;


- antes de 20 horas realizar o jantar, com comidas leves e livres de conservantes químicos e/ou frituras;


- por volta das 22 horas retira-se para dormir.

Sabrina Alves e Brenda Kalil conduzem, periodicamente, no Instituto de Cultura Hindu, Naradeva Shala, um curso voltado às mulheres onde se detalham as mudanças hormonais e psíquicas que acontecem nas diferentes fases da vida da mulher (Infância, menarca, sexualidade, gestação/puerpério, amamentação, Maturidade e Velhice). Também são apresentados e oferecidos tratamentos ayurvédicos benéficos à mulher, como banhos corporais e de assento, bastis (enemas) e massagens.


"Por meio de técnicas milenares do ayurveda, a mulher aprende como resgatar o feminino adormecido e passa a se reconhecer novamente como fêmea", salienta Sabrina. Às mulheres vegetarianas, a doutora Brenda recomenda observar e moderar o consumo de farinhas brancas, açúcares (especialmente se estiver com algum tipo de infecção vaginal, como a candidíase), laticínios e soja. No caso do soja, o alerta deve-se ao fato da proteína de soja acentuar a acidez no estômago, exigindo do organismo um maior consumo de cálcio para equalizar o PH interno. "A forma mais adequada de absorver a soja é através do tofu, que permite a absorção mais inócua da isoflavona pelo organismo humano." Outro contraponto sobre a soja é o fato da transgenicidade das sementes, pois as pesquisas ainda são inconclusivas sobre os malefícios de organismos geneticamente modificados, especialmente ao organismo feminino tão sensível aos hormônios.


Sobre a parte estética, a Ayurveda preconiza o cuidado de “dentro para fora”; isto é, nada é mais revitalizante do que se cuidar diariamente com meditação, alimentação, sono e sexo adequado. Assim, o sadhana pessoal fará a diferença na tez da pele, assim como os tratamentos de desintoxicação ajudarão o organismo a liberar toxinas e impurezas. Sabrina explica que o fluxo menstrual deve funcionar como um processo de rejuvenescimento do corpo. "Para a saúde feminina o repouso e o recolhimento são fundamentais nos 3 primeiros dias do
ciclo menstrual e deve se evitar o uso de absorventes internos que bloqueiam o processo natural de eliminação". Além disso, um cuidado auxiliar é fazer a Respiração Solar a fim de revitalizar e organizar a energia interna da mulher. Também podem ser praticados determinados mudras (gestos de poder com as mãos) para canalizar a energia de limpeza.


As estações do ano também podem inspirar determinados cuidados com a saúde, já que, na leitura ayurvédica, a força de determinados elementos naturais está mais ativa. São os chamados Ritucharyas que conectam a energia feminina com as estações do ano. Segundo a ciência Ayurveda, o dosha Vata manifesta-se a partir dos elementos Éter e Ar; Já o Pitta manifesta-se principalmente pelo elemento fogo e o Kapha, pelos elementos terra e água. Todos os seres humanos têm consigo os três doshas, que definem sua constituição física. Quando estes estão em harmonia, o organismo está saudável, da mesma forma quando desarmonizados, o corpo fica doente. No outono, por exemplo, se produz o acúmulo de Kapha (úmido e frio) que vai provocar o aumento da estrutura interna. Porém, é preciso cuidados para não exagerar no consumo de doces e lácteos e diminuir a atividade física.


A Dra. Brenda Kalil e a professora Sabrina Alves, realizam periodicamente workshops de "Ayurveda para Mulheres" no Naradeva Shala e demais escolas parceiras em todo o Brasil e uma vez por ano, realizam o retiro de Ayurveda para Mulheres de cerca de 03 a 04 dias em um local afastado das grandes cidades, onde visa-se o re-contato da mulher com a sua natureza mais pura.

 


SABRINA ALVES

Jornalista de formação, recebeu uma forte educação espiritual de sua mãe e avó segundo as heranças mágicas da Europa para a Bruxaria Tradicional Luso-Ibérica. Pesquisadora atuante da mitologia, filosofia e psicologia feminina; diversas religiões eco-centradas matriciais, seus ritos e medicinas nativas, focando nas necessidades físicas, psíquicas e espirituais para a construção da Cultura Iniciática da Nova Mulher. É representante e emissária para o Brasil da MOONJERES - Ruby Moon Red Tent Global Network, rede mundial de mulheres que trabalham com os Ciclos Femininos na Tenda da Lua Vermelha.  Agrega às medicinas nativas e tradicionais Thealogia (espiritualidade feminina), Ecofeminismo, arte-terapia aromaterapia, gemoterapia, massagem, florais, tarô, herbanário, contação de história, música, alimentação natural e trofoterapia. Atualmente estuda com Sthan Xannia, homem de medicina e líder de cerimônias. Formada em Ayurveda pela Escola e Instituto de Cultura Hindu Naradeva Shala onde desenvolveu um trabalho específico de ayurveda para mulheres e Curso de Ayurveda com Dr. Bheema Bhatt no Instituto Visão Futuro. Curso creditado pela Associação Brasileira de Ayurveda.

 


DRA. BRENDA KALIL

Médica, Formada na Faculdade Medicina de Teresópolis 1979. Formada em Ayurveda pela Escola Yoga Brahma Vidya. Pertence atualmente ao quadro clínico do Hospital Israelita Albert Einstein - Hospital Santa Catarina - Hospital e Maternidade São Luís. Representante da ABRA - Associação Brasileira de Ayurveda. Professora de Ayurveda do Instituto Naradeva Shala e realizada consulta médica ayurvédica no Naradeva Shala.

 

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