MASSAGEM KALARI
Com
base na minha experiência, posso dizer à vocês que
esse tipo de massagem representa a quintessência da
arte do toque oriental. Aqui encontramos
conhecimento e benefícios preciosos a cada um de nós
e ao próximo.
No oriente de
tempos imemoráveis encontramos avançadas e poderosas
formas de conhecimento para a saúde e o
desenvolvimento pessoal, entre elas a massagem como
fonte central. A massagem Kalari se encontra no meio
de duas das tradições mais notáveis, a Ayurveda e a
Siddha. Esses maravilhosos sistemas de medicina incluem
variados tipos de massagem, tratamentos e uso de
medicamentos naturais à base de ervas
principalmente. A tradicional massagem de marmas
Kalari é, nos dias de hoje, uma das mais populares
dessas tradições.
A massagem Kalari
pode ser feita com os pés ou com as mãos. Ela nasce
para o lutador de Kalari, a antiga arte marcial
indiana. O tratamento realizado com os pés permite
ao massageador praticar sobre quem recebe
determinados movimentos e posições de alongamento,
enquanto realiza a massagem com os pés. Trabalha
sobre os Nadis, os canais energéticos do corpo
estimulando seu fluxo, tonificando a musculatura e
dissolvendo as contraturas.
Suas Origens
Essa massagem é
originária da antiga tradição do Kalari – “Kalari
Payat”, a arte marcial indiana, provavelmente uma
das mais antigas do mundo. No

Kalari Payat o
corpo e a mente se exercitam como uma dança. O
Kalari contém elementos da Yoga, dança indiana e da
medicina ayurvédica. Kalari, em sânscrito, significa
“treinamento para o campo de batalha”.
O pai da tradição
Siddha é Shiva, difusor das práticas de Yoga, do
Tantra e de muitas outras ciências e tradições como
a alquimia, a arte da guerra, do amor, etc. O Kalari
Payat nasce em Vasudeva, no estado de Kerala, sul da
Índia. Várias são as lendas sobre suas origens.
Dentro da mitologia indiana, se narra que o lendário
sábio indiano Parasuram, seguindo os ensinamentos do
deus Shiva, fundou essa disciplina. A fim de
difundir a arte do Kalari Payat, Parasurana funda
108 kalari em toda Kerala e decide em transmitir os
seus ensinamentos de geração em geração. Ligado ao
Yoga era utilizado pelos guerreiros, mas ao mesmo
tempo, vinha concebido também como um método de cura
para se manter um estado de bem estar e saúde, útil
para fortalecer a musculatura e tonificar o corpo. O
Kalari não é somente uma prática física, mas
representa também o lugar sagrado de retiro em si
próprio, onde o guerreiro celebra o “Puja”,
cerimônia de adoração, antes de iniciar o combate.
Uma outra lenda diz
que é um filho de Shiva, Kartikeya, que desenvolve o
conhecimento guerreiro de como atingir para matar ou
curar dependendo do caso.
Desse conhecimento
se desenvolve a tradição do Kalaripayat, e nessa
tradição que se fala dos marmas e de como tocá-los.
Antes de chegar ao conhecimento profundo de tais
pontos, o iniciado se aproxima da Yoga e das artes
marciais e, sucessivamente ao se aprofundar no
percurso, ascende aos níveis mais sutis de como
tirar a vida ou curar, graças ao conhecimento
secreto dos pontos vitais.
As origens do
Kalari são cheias de mistério, provavelmente fazem
parte da tradição Siddha de Kerala e dos estados
dravídicos do sul da Índia (Kerala, Tamil Nadu,
Karnataka e Orissa).
Sucessivamente, com
o encontro das etnias do norte (ligadas à Ayurveda)
e do sul (onde era forte a tradição Siddha), também
a massagem kalari dos marmas vem incorporada na
tradição ayurvédica, mas é bom notar que se mantêm
duas vias paralelas, sinérgicas e ao mesmo tempo
distintas.
Hoje, a tradição
ayurvédica é muito conhecida no mundo, porém não se
pode dizer o mesmo da tradição Siddha. A tradição
Siddha do sul da Índia é um corpo de conhecimento
distinto e extremamente ligado ao Tantra. Assim como
a Ayurveda é ligada com os Vedas.
No
que ainda diz respeito à tradição Siddha, uma de
suas características principais é o modo de
preparação dos seus complexos medicamentos (que na
Ayurveda são chamados de “bashma”), notadamente uma
metodologia de processos alquímicos. Assim também o
conhecimento dos Nadis e dos pontos vitais, marmas,
vão sendo incorporados naturalmente no corpo de
conhecimento védico. O conhecimento dos pontos
vitais rende um grande interesse para a medicina
atual, porém podemos ver seus traços desde os textos
cirúrgicos do clássico “Susruta Samhita”, que
remontam o sec. V a.C. Esses tratados diziam
respeito às práticas cirúrgicas, e o conhecimento
dos pontos anatômicos dos marmas permitia aos
cirurgiões em anestesiar o paciente com uma precisa
pressão sobre os pontos vitais inibindo o sistema
nervoso. Para as operações cirúrgicas, o
conhecimento dos Nadis e marmas era imprescindível
para fazer as incisões e operações necessárias sem
ferir linhas estratégicas onde flui o prana, a
energia vital.
Dentro desse
contexto se pode afirmar que na Ayurveda, o
conhecimento dos marmas vem assimilada aos fins
cirúrgicos, mais que curativos em si mesmo. Na
tradição Siddha, por sua vez, o conhecimento desses
pontos vitais e suas formas de massagem ganham um
papelo principal.
O kalaripayat é um
desenvolvimento da ciência do Tantra e da Yoga, e o
seu sistema médico é embasado na ciência da medicina
Ayurveda e Siddha. A prática do kalaripayat promove
num modo assim bem eficaz, antes de tudo, a força
física, a flexibilidade, o equilíbrio e o pleno
controle do corpo, bem como inegáveis benefícios ao
nível mental e emocional, como um caminho para
ampliar e potencializar as próprias capacidades
psicofísicas e tornar mais profunda a própria
consciência, um meio de integração corpo-mente.
Na realidade, os
praticantes de kalaripayat são os verdadeiros
depositários da ciência dos marmas, com seus
refinados mestres de massagens e manipulações do
corpo com óleos medicados.

Texto
escrito pelo Italiano Micheli Ranieri
<<< voltar