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Granthis
Os três nós
psíquicos do Yoga
O
Tantra é o mais antigo sistema de Conhecimento do
universo indiano e o que mais profundamente explorou e
instrumentalizou a utilização da energia vital no reequilíbrio
psico/emocional/energético, e conseqüentemente, espiritual.
Dentro da complexa fisiologia
energética e da psicologia do Tantra, alguns conceitos
talvez sejam mais familiares àqueles que estudam e/ou praticam
alguma forma de Yoga: as Gunas (as qualidades
da natureza material: Sattwa – o equilíbrio, Rajas
– o movimento, e Tamas – a inércia), os
Chakras (os centros de energia), os mahabhutas
(os elementos da natureza), a Kundalini (a energia
primordial), os shariras e os koshas (os corpos e os
planos da existência), as nadis (os caminhos da
energia), os prana vayus (as subdivisões funcionais da
energia) e os Doshas (padrões que expressam como os
elementos da natureza se movimentam em nossa fisiologia
psico-física: Vata - espaço e ar , Pitta -
fogo eágua e Kapha – água e terra).
O Tantra Yoga, atuando
como uma verdadeira Psicologia Energética do Yoga,
utiliza o mesmo instrumental do Hatha Yoga (asanas,
pranayamas, kriyas, bandhas, mudras, meditações
etc.) para fomentar o equilíbrio psico-emocional e energético -
e conseqüentemente o equilíbrio da personalidade - de modo a
proporcionar a experiência da Unidade.
E para tal, trabalha com a
administração da complexa fisiologia energética e das técnicas
que citamos acima.
Um dos elementos interessantes
desta fisiologia (e desta filosofia) é o conceito dos
Granthis, os nós psico/emocionais/energéticos que estão
posicionados ao longo da Sushumna Nadi (o conduto
central de energia que localiza-se como contraparte sutil da
coluna vertebral) .
A Sushumna nadi simboliza
a consciência da Unidade (energia Kundalini) e os
Granthis simbolizam, trazendo a analogia para o universo do
Fogo Sagrado, os sistemas de corpos energéticos com seus núcleos
de boicotes, limitações, sabotagens, apegos e falsas crenças e
identificações, que devem ser transmutados e re-significados ao
longo de nossa jornada para a consciência da Unidade.
Os Granthis são como que
os obstáculos psico/emocionais/energéticos por que cada um deve
passar ao longo da sua trajetória rumo ao autoconhecimento. Ao
mesmo tempo expressam as defesas e bloqueios que construímos.
Os samskaras (impressões
psico-emocionais, que vão gerar vasanas, que são as
crenças, tendências e padrões) – outro nome para os Corpos
Energéticos - vão, de acordo com sua “temática”, funcionar como
manutencionadores dos Granthis.
É interessante procurar notar no
trabalho de canalização de Corpos Energéticos, quais conteúdos
estão relacionados com que Granthis ? Deonde se
originam os padrões que estão sendo manifestados e expressos
pelo canalizador?
O primeiro Granthi é o
Brahma Granthi, que está localizado na região do
Muladhara Chakra (elemento Terra). Brahma é o Senhor da
Criação e o Muladhara Chakra é o chakra
da criação material (reprodução), do pé no chão, da
auto-preservação, da atuação no mundo físico, da saúde
física. Diz-se que o Brahma Granthi é o nó do
samsara, do mundo dos nomes e das formas.
O Muladhara chakra está
relacionado às glândulas supra-renais (adrenalina!) e ao
prana Apana (elemento Terra), que rege a função da
eliminação e circula em fluxo descendente.
Este primeiro nó energético faz com
que a interatividade do homem com os aspectos mais práticos da
vida (trabalho, dinheiro, saúde) não flua com eficiência. O
homem identifica-se com a criação, com seu ego, com seu corpo e
com todo o grande jogo da Maya. Neste sentido, o
Brahma Granthi fomenta o apego ao mundo e aos seus aspectos
mais densos.
Brahma Granthi está
relacionado com Kriya Shakti, o poder de agir, de
atuar. Este poder de agir enquanto identificado com a energia
ilusória da criação, amarra o homem ao plano denso da
materialidade, ao nível mais tamásico (Guna Tamas).
Também está relacionado ao anéis
musculares pélvico e abdominal, da psicologia Reichiana.
Romper o Brahma Granthi
leva a agir-se como o ator, e não mais como o personagem, no
interminável drama da vida.
E Hatha Yoga (o Yoga
da saúde psicofísica) e Karma Yoga (o Yoga do
desapego) são os caminhos indicados para este nível, e seu
desbloqueio desidentifica o homem do seu egocentrismo.
Superar o Brahma Granthi
significa usar positiva e equilibradamente a determinação, a
objetividade, a coragem, o cuidado com a saúde e a beleza do
corpo, a prosperidade material, a paternidade.
E o deus hindu Ganesha
está relacionado a este Granthi, na medida em que o
deus com cabeça de elefante simboliza nosso próprio poder de
abrir nossos caminhos, vencer nosso medos, superar nossos
obstáculos e crescer.
O segundo Granthi é
Vishnu Granthi, o nó que se localiza na região do
Anahata Chakra (elemento Ar) que é o chakra da afetividade,
dos sentimentos, do amor, da compaixão.
Vishnu é o aspecto divino
relacionado com o Amor (Rama, Krishna, etc.),
que transmuta a emoção em devoção (amor universal).
O Anahata chakra está
relacionado à glândula timo e ao prana Prana (elemento
Ar), que rege as funções pulmonar e cardíaca, e circula em fluxo
ascendente (ao contrário de Apana), gerenciando tudo
aquilo que é absorvido (em todos os sentidos).
Este segundo nó faz com que o homem
selecione os objetos a serem amados (meus filhos, meus amigos,
meus pais, minha casa, meu carro, etc.) e cria apego por estes
objetos.
A religiosidade excessivamente
emocionalizada também é uma característica dos obstáculos
criados por este nó.
Vishnu Granthi pode ser
desbloqueado por Iccha Shakti, o poder de desejar.
Quando enredado por Maya (ilusão da separatividade), e
sob o impulso da Guna Rajas, o homem cria desejos e
necessidades segundo seus instintos e seus apegos. Quando o
desejo se sutiliza o homem desenvolve mumukshutwam, o
desejo pela liberação, pela consciência da Unidade.
Este Granthi também está
relacionado aos anéis musculares diafragmático e toráxico da
psicologia Reichiana.
Romper o Vishnu Granthi
leva a uma interação afetiva desimpedida, abrindo caminho ao
Amor Total que leva o homem a amar indistintamente toda a
Criação, expressando plena e equilibradamente as suas emoções e
dissolvendo suas couraças afetivas e relacionais.
Possibilita ainda que não se
reprima nenhuma emoção vivenciada, ao contrário, que se perceba
a emoção, que se sinta, se expresse e deixe que passe.
Bhakti Yoga (o Yoga
da devoção e do amor universal) é o processo, no universo hindu,
mais indicado para trabalhar este Granthi, e Prema
(o amor universal) é o coroamento deste processo.
Finalmente, o terceiro nó,
Shiva Granthi (ou Rudra Granthi), localiza-se na
região do Ajña Cakra.
Ajña é o chakra
que tanto gerencia o exercício da especulação intelectual e
racional (desde o que se refere a vazia "masturbação mental" até
à reflexão sobre o Conhecimento), quanto à própria visão da
Unicidade e da realidade de que somos a plenitude e a felicidade
que buscamos.
O Ajña chakra também está
relacionado com a conexão com as outras dimensões, com a
sensitividade, a intuição, a mediunidade.
O Ajña chakra está
relacionado à glândula hipófise.
Shiva é o deus hindu dos
ascetas, do Yoga e da meditação. Simboliza nosso
próprio poder de transformar nossa vida e transmutar toda a
sombra em Luz ; e também simboliza a conexão com nosso interior,
com nosso centro.
Shiva Granthi faz com que
o homem se perca na intelectualidade vazia e estéril, não
instrumentalizando eficientemente seu complexo psíquico para a
auto-realização.
Perder-se no caminho em função da
aquisição de siddhis (poderes psíquicos) quando isto
desequilibra o ego e a mente, também é um obstáculo relacionado
ao Shiva Granthi.
Este Granthi é
desbloqueado por Jñana Shakti, o poder de conhecer.
Tanto de conhecer no sentido de acumular informações, como
conhecer no sentido do próprio Conhecimento e Sabedoria.
O desejo pela liberação, pela
consciência da Unidade, despertado no rompimento do segundo
Granthi, faz com que o homem use sua mente e intelecto para
questionar e refletir sobre esta Unidade.
Shiva Granthi também está
relacionado aos anéis musculares oral e ocular, da psicologia
Reichiana.
Rompido Shiva Granthi
obtem-se a visão da Realidade Absoluta. Sattwa Guna é o
impulso que permeia este nível.
Dentro do amplo instrumental do
Tantra, a principal técnica utilizada para auxiliar no
rompimento dos Granthis, é Bhastrika (o Fole),
que além de ser um pranayama (trabalho respiratório e
energético), é uma poderosa kriya (técnica de
purificação).
Jñana Yoga ( o Yoga do
Conhecimento e da Sabedoria) e Raja Yoga (o Yoga da
meditação) são, dentro da perspectiva hindu, os
caminhos mais indicados para trabalhar e superar este
Granthi.
Ernani
Fornari (Dharmendra)
http://www.geocities.com/yogaterapia/
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