Aspectos históricos da India
Quando a Terra estava se formando, a Índia era uma
ilha e ao chocar com o continente deu-se a formação
do Himalaia. É incrível pensar que esta cadeia de
montanhas tenha sido praia um dia, mas foram
encontrados fósseis de animais marinhos e conchas em
suas terras. Isto ocorreu há vinte ou trinta milhões
de anos atrás, antes do aparecimento de humanos na
Terra.
Os três rios principais da Índia: Indus, Ganga
(Ganges) e Brahmaputra nascem no Himalaia. O Indus
começa no Tibet, perto do lago Mansarovar, e corre
por 2880 km até encontrar o Mar da Arábia no leste
de Karachi. É o mais longo dos três rios. O Ganga
nasce no Himalaia em Uttar Pradesh. O Brahmaputra
também nasce no Tibet, na região conhecida como
Tsang Po. O Ganga e o Brahmaputra se encontram antes
de desaguar na Baía de Bengala. Na planície entre o
Ganga e o Indus há o Deserto Thar e as colinas
Aravalli.
Os mais antigos sinais de vida humana na região
foram encontrados em Rawalpindi (no atual
Paquistão). Ferramentas de 2 milhões de anos foram
achadas neste sítio e no estado de Maharashtra, em
Bori. Nas colinas Shivalik, no Himalaya, foi
encontrado o esqueleto de um "homem macaco" do tipo
Ramapitecus de 10 a 14 milhões de anos. Um sítio
arqueológico interessante do período mesolítico é
Bagor, no Rajastão. Nas cavernas de Bhimbekta, em
Madhya Pradesh, podemos ver pinturas rupestres.
Até este estágio da vida humana, os povos de todo o
mundo viveram uma vida simples, caçando animais e
colhendo frutos e sementes para comer. Todos viviam
da mesma maneira, até o período neolítico, quando
mudaram o modo de vida para um modo mais seguro,
passando a cultivar a terra e domesticar os animais.
Isso ocorreu por volta de 10 000 anos AC.
Apesar da multiplicidade étnica e cultural que
caracteriza a Índia, ela sempre possuiu uma
tendência essencial à unidade, tendência essa que a
manteve uma cultura viva até nossos dias. O grande
acontecimento histórico que fundamentou a cultura
indiana foi a invasão dos ários que penetraram pelo
noroeste da Índia, região do Punjab, entre 1500 e
800 A.C., ou mesmo antes disto. Eles encontraram no
Paquistão, no vale do Indus, uma das primeiras
civilizações do mundo, maior que a do Egito e
Mesopotâmia juntas, com uma organização social
grandemente desenvolvida.
Provavelmente num período aproximado de 3000 a 2000
anos aC, floresceu no vale do Indus a civilização do
mesmo nome. De 1921 a 1931, escavações realizadas
por John Marshal e sua equipe desenterraram as
ruínas das cidades de Moenjodaro e harappa. A
civilização do Indus foi notadamente urbana e um
ápice de cultura no mundo da época.
Toda dividida em bairros cortados por ruas formando
quadras, geometricamente exatas, Moenjodaro é
chamada de "cidade moderna da antiguidade". As casas
eram simples, mas com infraestrutura como cisternas,
banheiros e andares superiores e inferiores. Havia
também edifícios públicos e supõe-se, pelo que foi
encontrado, que havia um sistema de troca de gêneros
e uma administração central, composta principalmente
por autoridades religiosas.
Harappa é também considerada outra "capital" do
Império do Indus, mas tinha algumas diferenças, como
o fato de o celeiro estar localizado fora da cidade,
pois a proximidade com o rio Ravi permitia que toda
a vizinhança transportasse por via fluvial os
gêneros para serem estocados. O tradicional banho
ritual dos hindus é refletido pelos intrincados
sistemas de fornecimento de água de Harappa, assim
como um organizado sistema de coleta de lixo.
Vemos nesta civilização pré-védica, anterior à
invasão dos ários, obras importantes de arquitetura.
Situada na margem esquerda do agora seco rio Ghaggar,
no Rajastão, Kalibangan revela o mesmo padrão das
cidades citadas acima, mostrando grande
desenvolvimento, assim como Lothal, situada não
muito longe do Golfo de Cambay, e Surkotada, a 270
km de Ahmedabad, no Gujarat.
A cerâmica é muito presente nestes sítios todos, e
além da utilitária, temos também objetos artísticos,
como figuras de terracota delicadas mostrando o grau
avançado da civilização. O povo do Indus desenvolveu
também a tradição de esculturas em pedra, como a
bela representação de um homem em estado de
meditação em Mohenjo-daro e as esculturas
representando jovens dançarinas em Harappa. O
trabalho em metal é significativo, como a figura
feminina de Mohenjo-daro com seus adornos finamente
representados.
A fertilidade do vale proporcionava uma vida de
abundância, provavelmente trabalhndo na agricultura,
usando a bacia do Indus como meio de transporte,
negociando por terrra e, segundo indícios, também
por via marítima com a Asia Central, o Sul da Índia,
com a Pérsia e o Afeganistão.
As causas do declínio e desaparecimento desta
civilização podem ter sido enchentes, epidemias e
secas. Mas a hipótese mais possível é de que
sucessivas incursões de arianos vindos do Noroeste
tenham, aos poucos, dizimado a população.
Os arianos viviam provavelmente na Ásia Central, no
planalto que é hoje o deserto de Gobi. Segundo
vários achados arqueológicos e também segundo as
narrações Históricas budistas pensa-se que neste
deserto havia um mar interior e que numa ilha deste
mar existia uma cidade. Era desta ilha que partiam
os arianos, migrando em várias direções e subjugando
outros povos. Eles foram empurrados provavelmente
por cataclismos naturais tornando-se assim invasores
que impunham facilmente sua inteligência e força.
Eles possuíam elevada estatura e pele clara e muitos
excursionaram para o oeste, tornando-se antepassados
dos gregos, celtas e latinos.
As origens do Hinduísmo podem ser traçadas desde
esta precoce civilização. A sociedade era dirigida
mais pelos sacerdotes do que pelos reis, pois
aqueles intercediam com os deuses, ditavam as regras
sociais e também assuntos legais, como posse de
terras.
Figuras de barro foram encontradas representando a
Deusa Mãe, mais tarde personificada como Kali, e
também uma representação masculina, com três faces
sentada em atitude de yoga, rodeada por quatro
animais, uma das mais antigas representações do deus
Shiva. Pilares de pedra preta (adoração ao falo de
Shiva como princípio criativo) também foram
encontrados. Estas são as mais antigas formas de
adoração, mostrando rituais ainda simples, que
depois foram substituídos pelos rituais dos
brâamanes que passaram a ter exclusividade neste
papel.
Talvez a civilização do Indus já estivesse em
declínio quando da invasão ária, e isso somente
acelerou a derrocada. Isso pode explicar o porquê de
os Vedas considerarem os dravidas como bárbaros e
primitivos. Sabemos, entretanto que a língua dos
dravidas do sul era falada antes da invasão,
indicando a coexistência pré-ariana da escrita
dravidiana e do Indus. Talvez com a invasão ária,
muitos drávidas tenham migrado para o sul,
explicando a presença de tal língua fora do vale do
Indus. Hoje a língua dravidiana é falada no sul da
Índia e no Beluquistão Central, e tem o brahmi como
um de seus ramos.
A civilização Védica foi criação dos ários, que
elaboraram uma série de hinos religiosos que foram
organizados e são conhecidos como os "Vedas". Essas
escrituras são o fundamento do Hinduísmo,
absolutamente intrínseco à própria história da
Índia.
A ordem social que reflete a assimilação dos Ários e
a supremacia dos sacerdotes se consolidou no sistema
de castas, que sobrevive até hoje de certa forma. O
controle sobre a ordem social foi mantido por regras
estritas destinadas a assegurar a posição dos
Brãmanes, os sacerdotes. Foram elaborados tabus
concernentes a casamentos, dietas, e convívio
social.
Durante um curto período de tempo (séculos V a.C. a
III a.C.) os persas tomaram o noroeste da Índia. Um
jovem príncipe iniciou uma dinastia (o Império Mauna).e
seu neto, Ashoka, acabou sendo o governante que mais
marcou a India antiga, pois viajou por toda ela,
tornando-se muito popular.
Nos séculos seguintes, vários reinos se formaram,
todos independentes, e com características culturais
e línguas diferentes.
Consulado Geral da India
São Paulo
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